Palloma & Silvio

Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês, um dos dias mais felizes da minha vida. O dia em que eu e a Palloma nos casamos. Mas para falar a respeito do dia 12 de Janeiro de 2020, eu preciso antes, contar a respeito da nossa jornada até essa manhã de domingo.

Depois do nosso noivado, em Maio de 2018, começamos a pensar em qual data iríamos nos casar. Inicialmente o nosso plano era casar no dia 12 de maio, assim teríamos uma única data para comemorar o início do nosso namoro, noivado e o casamento, mas tivemos que desistir da ideia logo de início. Isso porque o próximo dia 12 de maio, que cairia no final de semana, seria já no próximo ano, em 2019, o que seria ótimo se tivéssemos dinheiro para organizar um casamento em 11 meses, o que não era o nosso caso. Além disso, seria dia das mães e possivelmente muitas das pessoas que pretendíamos convidar talvez não fossem. Excluíndo o ano de 2019, o próximo dia 12 de maio que iria cair em um final de semana estava mais distante do que estávamos dispostos a esperar: 2024.

Depois de muito conversar, ver e rever o calendário, finalmente conseguimos escolher uma nova data: 12 de janeiro de 2020. Teríamos um pouco mais de um ano e meio para nos organizar e fazer um casamento do nosso jeito, e como éramos organizados, seria um tempo mais do que suficiente, respeitando é claro, as nossas condições financeiras.

Com a data definida, começamos a pesquisar lugares.

Para essa tarefa contamos com a ajuda inesperada da Karen, que na época era gestora da Palloma no Fleury. Ela havia começado um projeto de assessoria de casamento e já tinha a cotação de vários espaços para eventos. Foi ótimo! Graças a ela conseguimos poupar um tempo considerável entre pesquisar lugares, pedir cotação e visitar, mas não se engane. Mesmo com essa atalho, olhamos mais de 20 espaços, dos mais tradicionais até mais modernos. Espaços que custavam dois mil Reais e outros que chegavam a incríveis vinte e um mil. Já estávamos cansados e a lista de lugares já estava no fim sem que a gente encontrasse um que fosse a nossa cara.

No final de dois meses de procura e visitação, restava apenas um que estava localizado em Mogi das Cruzes, a 100 km de distância das nossas casas.

A viagem foi longa. Para ajudar, na época não tínhamos carro nem ninguém que pudesse nos emprestar, então o jeito para chegar até o Casarão foi através de ônibus, metrô, trem e Uber. Sim, uma verdadeira viagem, mas foi recompensadora. Assim que colocamos os pés no Casarão La Villa, fomos arrebatados pela beleza e o clima do lugar. Estava além das nossas expectativas.

Assim que decemos do Uber, um homem de sorriso largo e olhar acolhedor caminhou em nossa direção. Se tratava do Kleber, o proprietário do Casarão. Ele fez questão de apresentar cada canto e explicar cada detalhe além de responder todas as nossas perguntas. E diferente da maioria dos lugares que nós havíamos visitados, em nenhum momento ele tentou conduzir a conversa para a parte de negociação de valores e isso fez uma puta diferença.

Quase uma hora depois, estávamos fazendo o longo caminho de volta pra casa. Ainda no trem em direção a estação da Luz, estávamos decididos que queríamos celebrar o nosso casamento no Casarão, e isso causava um pouco de frustração porque para ser sincero, não tínhamos ideia se teríamos condição de pagar

Mas naquele mesmo dia tivemos a resposta.

Era por volta das 22:40 quando recebi uma mensagem do Kleber. Nela ele agradecia pela nossa visita e confidenciava o quanto havia gostado da gente. De fato, não foi preciso muito tempo para criarmos uma afinidade com ele e a sua esposa durante a nossa visita ao Casarão. Respondi agradecendo pela recepção e prontamente ele me respondeu dizendo que nós iríamos nos casar no Casarão La Villa.

Fiquei sem saber o que responder. Nessa mesma hora, ele mandou uma nova mensagem dizendo que tanto ele quanto a sua esposa conseguia ver o nosso casamento sendo realizado no Casarão e por conta disso haviam concordado em enviar o contrato de locação em Word, assim eu e a Palloma poderíamos montar a forma de pagamento que mais se adequasse a nossa realidade.

Fiquei sem palavras. E novamente ele se adiantou mandando uma mensagem dizendo que aguardaria uma resposta e que estaria a disposição a qualquer momento. Me despedi e na mesma hora mandei mensagem para a Palloma explicando o que havia acabado de acontecer. Naquela mesma semana fechamos o contrato com o Casarão La Villa.

Naquela mesma semana já tínhamos um lugar para chamar de nosso.

Com o espaço reservado, começamos a pesquisar os outros fornecedores, o que não foi fácil. A maioria dos fornecedores que encontrávamos e que estavam dentro do nosso orçamento, ofereciam algo padronizado, que não tinha nada a ver com a gente, e quando gostávamos de algum, o valor era tão absurdo que quase provocava uma taquicardia em nós, mas como dizem por aí “o tempo é rei". Mantivemos os pés no chão e continuamos a nossa procura da mesma forma que fizemos com o local, e aos poucos, fomos encontrando fornecedores que tinham a nossa cara e a mesma disposição que os proprietários do Casarão La Villa demonstraram para nos oferecer propostas flexíveis que estavam dentro da nossa realidade, mas mesmo assim não foi fácil. Ao longo do ano, tivemos que fazer muitas concessões: deixamos de sair com os nossos amigos, dividíamos o lanche do supermercado antes de ir para a faculdade e até íamos a pé para certos lugares quando a distância permitia, tudo para economizar dinheiro e investir no nosso casamento.

Valeu cada esforço.

Quando disserem a você que uma das partes mais difíceis de um casamento é a lista de convidados, não duvide! Ela pode ser um pesadelo.

Acho que refizemos a lista umas 10 vezes antes de chegar na lista definitiva. Isso porque os nossos pais sempre apareciam com aquele discurso de que fulano é amigo, que sicrano não pode ser deixado de fora, beltrano te conhece desde quando você era pequeno…

Vou ser bem sincero: a não ser que os seus pais estejam bancando o casamento, eles não deveriam sair convidando sem o consentimento do casal, porque no final das contas, quem tem que estar presente são as pessoas que são presentes e importantes na vida do casal, mas claro, isso é apenas a minha opinião.

Com a lista fechada em 110 convidados, começamos a voltar a nossa atenção para os padrinhos. Não queríamos um batalhão de pessoas no altar, mas também não queríamos deixar ninguém que fosse importante de fora e foi aqui que o nosso critério de decisão fugiu um pouco do que é considerado normal.

Inicialmente listamos todas as pessoas que julgávamos serem aptas para serem os nossos padrinhos e madrinhas. Com a lista nas mãos, jejuamos e pedimos a Deus que nos ajudasse a decidir quem deveria estar no altar nos abençoando.

E como saberíamos quem eram essas pessoas?

Iríamos entrar em contato com cada uma delas pendido um encontro para colocar a conversa em dia. Se a pessoa em questão aceitasse nos encontrar no dia proposto, significava que tínhamos o sinal verde para fazer o convite a ela.

Esse processo levou quase 3 meses, mas valeu a pena. Houve pessoas que quiseram remarcar dando desculpas esfarrapadas, outras que simplesmente não faziam questão, mas também houve aquelas que mesmo trabalhando aos finais de semana e feriado, abriram as portas da casa pra gente e ficaram emocionadas ao serem convidadas.

Após contratarmos uma assessoria de casamento, conseguimos ter mais tempo para correr atrás de outra que de certa forma acabamos negligenciando ao longo dos meses: onde iríamos morar?

Estávamos decididos que iríamos morar junto antes mesmo de casar, o desafio estava em encontrar uma casa que nos atendesse, dentro do valor que poderíamos pagar. Da mesma forma que aconteceu com o espaço para o nosso casamento, a busca pela casa nos levou a pelo menos uns 10 bairros diferentes entre as regiões sul, oeste e norte. Durante a busca quase fechamos o negócio em um imóvel no bairro da Casa Verde, mas a imobiliária agiu de má fé e acabou alugando para outro casal. Foi frustrante, mas não podíamos desanimar.

Um dia, voltando da casa dos pais da Palloma, eu vi um imóvel próximo a casa dos meus pais que estava disponível para alugar. Pesquisei no site da imobiliária e assim que a encontrei, mostrei para a Palloma que se apaixonou por ela no mesmo instante. Isso foi em setembro. Não tínhamos grana para alugar e a única coisa que nos restava era torcer para que ela ficasse disponível até novembro assim conseguiríamos alugar com o décimo terceiro. E para a nossa sorte, as nossas preces foram atendidas.

os mudamos no dia 17 de novembro de 2019 com a ajuda de nossos pais e irmãos. No dia 7 de dezembro fizemos o chá de casa nova em uma tarde de muito sol e pessoas queridas marcando presença. Foi incrível!

Finalmente, depois de meses de correria, sacrifícios e perrengues. Janeiro de 2020 havia chegado e com ele o nosso grande momento.

No sábado dia 11, acordamos sem a ajuda do despertador, afinal, em poucas horas estaríamos oficializando, perante a lei, a nossa união. Estávamos animados e felizes com todas as nossas conquistas e por todo o apoio e ajuda que tínhamos recebido durante toda a nossa jornada.

Graças aos pais da Palloma, praticamente não tivemos gastos relevantes para mobiliar a casa. O pai da Palloma havia ganhado meses atrás, uma quantidade considerável de móveis de um dos seus clientes e como havia móveis o suficiente para mais de uma casa, ele decidiu doar uma parte deles pra gente, já o meu pai conseguiu um caminhão sem custo algum para fazer a mudança enquanto os meus irmãos levaram comida pra gente enquanto estávamos organizando a mudança, enfim, estávamos rodeados de pessoas que queriam o nosso bem.

Às por volta das 10:30 do dia 11.01.2020 estávamos oficialmente casados. Meus irmãos Dayse e Paulo, e os nossos amigos, Rafa e Lola foram nossas testemunhas e padrinhos. Saímos do cartório e voltamos as pressas para casa, para fazer as nossas malas para viajar até Mogi onde no dia seguinte, iríamos fazer a tão aguardada cerimônia.

Chegamos em Mogi debaixo de chuva. Estava tão forte que todo o entorno da rodoviária estava alagado e isso acabou nos deixando bem preocupados, afinal o nosso casamento seria realizado a céu aberto. Naquele momento só nos restava torcer para que o sol aparecesse.

Já no hotel, desfizemos as malas, tomamos um banho quente e corremos até o shopping para almoçar. Estávamos exaustos, mas não conseguiríamos descansar de barriga vazia. Com tudo organizado, alimentados e de volta ao hotel, deitamos e deixamos o cansaço nos dominar até o dia seguinte.

Eram 7:00 da manhã quando descemos para tomar o café da manhã. Quase não conversávamos e não era porque não tinha assunto, mas sim pela ansiedade que tomava conta de forma silenciosa. Nos despedimos por volta das 8:30 quando o Uber chegou para levar a Palloma para o Casarão.

Eu cheguei por volta das 10:30 e tive uma agradável surpresa ao ser recebido por alguns dos meus mais antigos amigos: Henrique, Bruno e Paulinho. Conversamos durante alguns minutos e logo fui chamado pela Jéssica, a nossa assessora, para que eu fosse me trocar para dar início a sessão de fotos.

Aos poucos, os convidados foram chegando e um a um vieram me cumprimentar antes de escolher um lugar para se sentar.

O Casarão estava mais incrível do que podíamos imaginar. Cada detalhe da decoração refletia um pouco da nossa personalidade. A energia que transbordava dos convidados era contagiante e eu não poderia estar mais feliz. Entrei acompanhado da minha mãe ao som de Felling Good da cantora Nina Simone e sob o olhar atento dos convidados,aparentemente felizes com o que viam, mas não foi nada comparada a entrada da Palloma ao som de Liniker. Ela parecia uma fada, com cabelos rosas e um sorriso que a deixava mais deslumbrante do que já era. Minha vontade era sair correndo do altar e beijá-la ali mesmo, mas fui comportado e segui o protocolo.

O Marcos, o nosso querido celebrante, conduziu uma cerimônia leve, bem humorada e cheia de amor. A banda não deixava por menos e fez uma apresentação maravilhosa e impecável. Foi incrível e ao final sentia que o amor havia penetrado o coração de cada pessoa que estava no Casarão.

Terminada a cerimônia e a sessão de fotos, nos dirigimos até o salão onde fomos recebidos ao som de Beyonce e Jay Z por um público carinhoso e participativo que foi escolhido a dedo e que mesmo com a enorme distância, fizeram questão de nos prestigiar. Dançamos, comemos, brincamos. Parecia um grande almoço de domingo.

A festa terminou por volta das cinco da tarde e graças a Deus, fez sol o tempo todo. Bem, até chegarmos ao hotel. Assim que desembarcamos do carro a chuva começou a cair e só foi parar no dia seguinte, mas já não tinha mais problema. Ela tinha sido bondosa o suficiente para esperar pacientemente o término da nossa festa de casamento.

Chegamos no quarto e toda a tensão e cansaço que havíamos acumulado durante meses finalmente havia ido embora. Deitamos na cama e nem nos demos conta a que horas o sono nos pegou. Finalmente podíamos descansar sabendo que tudo que havíamos planejado tinha se concretizado. Ali começava uma nova fase das nossas vidas e estávamos ansiosos por isso.

Fragmentos de uma vida